Paradoxos podem ser definidos como idéias aparentemente verdadeiras, que, porém, contém uma idéia que contradiz a intuição lógica e a própria razão, inegável base de sustentação do ser humano.
Pois bem, então defino o que seria o chamado paradoxo emocional. Algo que contradiz a lógica dos sentimentos, e não a lógica da razão. A razão também é questionada, mas não é nela que se dá a confusão.
Sempre tive essa impressão dos hospitais, que eles são verdadeiros paradoxos emocionais.
Explico:
Hospitais possuem uma concentração de pessoas que no momento estão com o extremo ruim, a dor. A dor é algo que sempre vamos tentar evitar, e isso está encravado em nossa essência. Pois bem, hospitais possuem pessoas com diversos tipos de dor, de níveis e intensidades diferentes, e não só as dores físicas, mas também outros tipos de dores do espírito, como raiva de injustiça e, principalmente, medo. Medo da morte, medo da perda e especialmente medo da dor.
Hospitais, por outro lado, também possuem um aglomerado de sentimentos do extremo bom. O principal deles vem da tendência da humanidade em só dar valor a algo quando se está prestes a perdê-lo. Logo, podemos dizer que é o lugar em que se vê a maior união entre as pessoas. O lugar que possui a maior intensidade do sentimento de implorar para o que quer que seja que aquela pessoa se recupere, que ela não desista, para que possam ficar juntos mais um pouco. É o lugar onde as pessoas esquecem as mesquinharias e mal entendidos, pois vêem o quanto aquilo não é importante frente à grandeza que é continuar vivo. É um lugar de gentilezas, onde não há na maioria das vezes apenas uma relação de profissional-cliente, e sim uma relação mais próxima, entre quem quer ajudar e quem precisa de ajuda.
Compreendem vocês, que, em um só lugar, assim como em um só corpo, os dois extremos dos sentimentos estão presentes com igual intensidade e vivacidade? Por isso que para mim sempre será um paradoxo, insolúvel, mas compreensível, e passível de ser entendido racionalmente. Mas, quando se está lá, sentindo o turbilhão de emoções, é difícil de compreender. Hospitais são lugares fascinantes...
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Impressão das palavras
Sempre que eu ficava internada em uma cirurgia dolorosa, minha mãe dizia que só conseguia agüentar porque eu dava forças a ela.
Nunca realmente compreendi o que ela quis dizer; só entendi. Entender é pensar, e compreender é sentir. E talvez seja uma regra universal, que só compreendamos as situações quando passamos por elas. Para falar a verdade, talvez a compreensão seja o que há de mais raro.
Pessoas, quando se comunicam com pessoas, tentando mostrando sua dor ou quem elas são, geralmente não obtém o resultado esperado daquela conversa, mesmo que não percebam. O receptor sempre procura processar as informações baseado em padrões de entendimento pré-estabelecidos, como um software de causas e conseqüências já existentes. Mas a humanidade é muito mais complexa do que isso, e há um mundo de possibilidades por trás de cada fato que ocorre com uma pessoa ou cada atitude que ela toma.
Logo, uma das chances que temos para conseguir compreender o que a outra pessoa quer nos passar é nos colocarmos no lugar dela, e ver como as possibilidades da situação nos atingiriam. Porém, na maioria das vezes, as pessoas não têm conhecimento dessa necessidade, e não procuram fazer algo para mudar a situação de meros entendedores. Assim caminhamos em uma eterna não compreensão.
Nesse mundo de não compreensão, encaixo-me, autora deste singelo texto. Devo confessar que, apesar de idéias de que as pessoas nunca são verdadeiramente compreendidas, não havia eu compreendido minha própria idéia (contraditória situação). A luz veio quando um grande amigo meu, de anos e anos de companheirismo, padeceu de uma grave doença cardíaca. Só então quando em meio a seu sofrimento, ele mostrava algum sinal de bem estar, imagino que fruto de enorme esforço, é que eu conseguia me sentir um pouco melhor.
Imagino que essa seja a razão das pessoas velhas serem mais sábias. Elas já devem ter observado a diferença entre entender e compreender, e esse deve ser um dos grandes papéis da experiência de vida. Mas isso é assunto para um outro texto.
Eu realmente ficava melhor quando ele abanava a cauda...
Nunca realmente compreendi o que ela quis dizer; só entendi. Entender é pensar, e compreender é sentir. E talvez seja uma regra universal, que só compreendamos as situações quando passamos por elas. Para falar a verdade, talvez a compreensão seja o que há de mais raro.
Pessoas, quando se comunicam com pessoas, tentando mostrando sua dor ou quem elas são, geralmente não obtém o resultado esperado daquela conversa, mesmo que não percebam. O receptor sempre procura processar as informações baseado em padrões de entendimento pré-estabelecidos, como um software de causas e conseqüências já existentes. Mas a humanidade é muito mais complexa do que isso, e há um mundo de possibilidades por trás de cada fato que ocorre com uma pessoa ou cada atitude que ela toma.
Logo, uma das chances que temos para conseguir compreender o que a outra pessoa quer nos passar é nos colocarmos no lugar dela, e ver como as possibilidades da situação nos atingiriam. Porém, na maioria das vezes, as pessoas não têm conhecimento dessa necessidade, e não procuram fazer algo para mudar a situação de meros entendedores. Assim caminhamos em uma eterna não compreensão.
Nesse mundo de não compreensão, encaixo-me, autora deste singelo texto. Devo confessar que, apesar de idéias de que as pessoas nunca são verdadeiramente compreendidas, não havia eu compreendido minha própria idéia (contraditória situação). A luz veio quando um grande amigo meu, de anos e anos de companheirismo, padeceu de uma grave doença cardíaca. Só então quando em meio a seu sofrimento, ele mostrava algum sinal de bem estar, imagino que fruto de enorme esforço, é que eu conseguia me sentir um pouco melhor.
Imagino que essa seja a razão das pessoas velhas serem mais sábias. Elas já devem ter observado a diferença entre entender e compreender, e esse deve ser um dos grandes papéis da experiência de vida. Mas isso é assunto para um outro texto.
Eu realmente ficava melhor quando ele abanava a cauda...
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